sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O blog elege os melhores de 2007

Crítica especial: Melhores de 2007

Borat inicia o ano com um humor negro e afinado, em um filme que muito se viu identidade com toques de originalidade, principalmente do ator Sacha Cohen. Ainda nesse mesmo início de ano, pude ver o interessante Pecados Íntimos, com ótimas atuações, numa história que fala sobre os perigos de uma aventura adulterina.

Também foi um ano de dois bons filmes episódicos, ou seja, os conglomerados de curtas que, naturalmente, são alguns interessantes e outros nem tanto. Um deles, Paris te amo, fala sobre inúmeras histórias de amor na cidade parisiense – já comentado neste blog no dia 2 de junho de 2007. Já o outro, A cada um seu cinema, foi exibido no Festival do Rio e ainda não estreou, mas vale por belos curtas de diretores consagrados – cada um adotando sua visão de cinema, cada um com seu cinema.

Falando em Festival do Rio, este ano pude conferir exatos 30 filmes dos mais de 500 do Festival. Sonhando Acordado, de Michel Gondry – sim, aquele mesmo de Brilho Eterno – que novamente utiliza recursos surrealistas numa montagem ágil, sem aquele brilhantismo que conhecemos, mas não deixando de ser interessante, sendo protagonizado pelo Gael García Bernal. Na vertente mais pop do festival, dois filmes esperados da dupla Quentin Tarantino e Robert Rodríguez. Respectivamente, À Prova de Morte e Planeta Terror, que eram pra ser um só, mas foram separados em exibições fora dos EUA. São verdadeiras sátiras a filmes B, feitos com maestria e esperteza, e com a utilização irônica de artifícios para piorar os filmes, como as cenas em que parece que o rolo da película foi remendado, indicando a falha no corte da imagem. O festival também proporcionou uma instigante comédia romântica mexicana: Pálpebras Azuis; inusitada e com seleção para Cannes. Continuando na comédia, tem o italiano As Rosas do Deserto, que eu diria com um humor próximo de Robert Altman, principalmente em M.A.S.H. (1970). Na expectativa de diretores consagrados, o sul-coreano Kim Ki-Duk nos apresentou o intenso Sem Fôlego. Destacaria o roteiro, mas tudo no filme merece uma menção. Já o português Manoel de Oliveira mais uma vez nos proporciona uma destacável produção, desta vez aos 97 anos. É o caso de Sempre Bela, seqüência do memorável clássico A Bela da Tarde (1967). Realizar uma seqüência de um grande clássico já é difícil, com tamanha precisão, nem se fala. E pra fechar o meu destaque do festival de 2007, Dr. Plonk, filme australiano que satiriza os filmes mudos muito recorrentes até a década de 20, com excelentes tiradas. Um dos melhores, eu diria.


Os meus destaques sul-americanos também ainda não estrearam aqui no Brasil. Foram dois filmes que apareceram muito bem no Festival de Gramado: O Cobrador, uma co-

produção de vários países, adaptada do conto homônimo de Rubem Fonseca, estrelado pelo ator brasileiro Lázaro Ramos – que está muito bem no filme, mesmo sem dizer uma palavra sequer. E ainda pude ver o uruguaio O Banheiro do Papa. Comentado aqui no tópico sobre 

Gramado, configura a saga de um habitante da cidade de Melo ao construir um banheiro para ser alugado no dia da visita do Papa – só não é o melhor filme que vi no ano por causa de um brasileiro que mencionarei a seguir.

 

Brazoocas e o melhor do ano


Estou em débito com os lançamentos do cinema nacional. No Festival do Rio foram tantos muito bem comentados, mas pouco conferi. Casa de Alice, de Chico Teixeira, que retrata a vida de uma família de classe média-baixa em São Paulo, é um bom exemplo que vale comentar. Outro filme brasileiro que marcou o ano – acredito que esse tenha sido o que mais marcou – foi Tropa de Elite, de José Padilha. Apesar de acreditar que tenha sido um pouco superestimado – mas subestimado pelos caretas que pensam cinema – é um excelente filme de ação, aos moldes de Hollywood, e que ainda gerou uma comoção e discussão sobre a temática abordada.

Mas considero um filme em especial – já comentado no tópico de Gramado – o grande filme de 2007: Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho. Um documentário com doses ficcionais, nos permite testemunhar o que é uma verdadeira inovação e obra-prima; isso aos 74 anos completos do cineasta. Entrevistas memoráveis e montagem precisa, Coutinho brinca com o nosso discernimento, e quando parecemos entender o que se passa no filme e identificar quem é quem, ele esfrega a realidade crua em nossa cara e nossa ignorância fica evidente naquele momento. Não só marcou 2007 e não só marcou o cinema brasileiro. É uma obra para o mundo.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Aqui jazem os morangos

Crítica 5: Morangos Silvestres
Ele se foi dia 30 de julho deste ano, aos 89 anos, deixando inúmeras obras memoráveis. Nada mais providencial que falar agora sobre uma dessas obras.

Morangos Silvestres tem algumas marcas quase sempre usadas nos filmes de Bergman. A inquietação e a angústia existenciais do homem, o amor, a história e a infância. Além disso, utiliza quase sempre os mesmos atores, como nesse caso, Bibi Anderson, no seu hall de favoritas. Os simbolismos de seus filmes também são algo muito forte, assim como sua afeição por relógios. E o amor, a memória e as questões existenciais, são tratados de forma fúnebre aqui por ele.

A história do filme é de Isak Borg, um bacteriologista que viaja de Stocolmo a Lund para receber um prêmio. Trajetória essa que é tratada como algo sem importância e decadente. Em volto a isso, existe a nora de Isak preocupada com o iminente fim de seu casamento, seu filho que não tem mais vontade de viver, sua mãe fria e sem vida e suas lembranças de um amor que não corresponde com a mulher que se casou. Uma cena bem no início é o seu sonho, onde está numa cidade estranha e acaba se vendo num caixão. Ela é emblemática e dá o cartão de visitas de Morangos, repleta de simbolismos e analogias.

Outra cena memorável é um outro sonho seu, onde é examinado por um sujeito que questiona a sua capacidade de exercer sua profissão. O diálogo neste momento é genial, com toques de surrealismos, culminando em Isak relembrando a traição de sua ex-mulher, retomando questões de amor e do passado, como sempre faz.

Bergman sempre dá aula nos seus filmes. Mas especialmente alguns deles, além da sua maestria, são precisos dramartugicamente. É o caso, por exemplo, de O sétimo selo, Persona e o próprio Morangos silvestres. Além de possuir símbolos fortes, analogias significativas, muitas vezes relacionadas à sua própria vida, a história em si é precisa e dispensa qualquer outro comentário. Uma frase dele descreve bem no que Morangos silvestres se sustenta: "Por que surge uma reação de curto-circuito numa pessoa totalmente bem adaptada e bem estabelecida?". Funciona muito bem relacionado com a vida e outros filmes do diretor e também como um filme, simplesmente. Vale como parte das inúmeras obras de Bergman, mas, acima de tudo, vale como uma obra.

Nome original: Smultronstället
Ano: 1959
Tempo: 91 min.

País de origem: Suécia
Diretor/Roteirista: Ingmar Bergman
Elenco: Victor Sjöström, Max von Sydow, Bibi Andersso
n, Ingrid Thulin, Gunnar Björnstrand, entre outros.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

O Cinema lá no Sul

Crítica expecial: Festival de Gramado 2007

Gramado 2007 – 35º Festival

Neste ano, do dia 12 ao dia 18 de agosto, ocorreu o 35º Festival de Cinema de Gramado. Desta vez, tive a oportunidade de estar lá, do começo ao fim, compondo o Júri de Estudantes de Cinema, que premiou sete Kikitos: melhor montagem, direção de arte e música para longas e curtas brasileiros e melhor excelência de linguagem ou técnica para longas estrangeiros.

Na competição de curtas, configuravam os seguintes filmes: Aphaville 2007 d. C. (melhor filme roteiro e montagem); Saliva (melhor direção de Emir Filho); Balada do Vampiro (melhor direção de arte e música); Satori Uso (melhor fotografia e prêmio da crítica); Perto de qualquer lugar (melhor atriz); Overdose digital (melhor ator); além de Cine Zé Sozinho; O livro de Walachai; A peste de Janice; A psicose de Walter; Passo; Sete vidas e Oficina Perdiz. Destaco o documentário Cine Zé Sozinho, Passo (curta de 4 minutos, destoando dos demais), Balada do Vampiro, Alphaville 2007 d.C., A peste de Janice, e o excelente (talvez o grande curta da mostra) Saliva.

Sobre os longas estrangeiros, quem teve destaque foi Nascido e criado, de Fabio Trapero, levando os prêmios de melhor fotografia, melhor direção e melhor filme; além da sensação do festival: Banheiro do Papa, de Henrique Fernández e César Charlone, que levou nada menos que seis Kikitos: melhor filme do júri popular, prêmio da crítica, excelência de linguagem e técnica, melhor roteiro, melhor atriz e melhor ator. Os demais filmes são: O Cobrador, de Paul Leduc (prêmio especial do júri), Cocalero, de Alejandro Landes e Madeinusa, de Claudia Llosa. Considero praticamente todas as premiações justas; pois em termos de direção e fotografia Nascido e criado se destaca, e Banheiro do Papa é o grande filme (não só estrangeiro) do festival, com a única ressalva de merecer o prêmio de melhor filme, mas nada de extrema injustiça.

Já os tão esperados longas nacionais em competição estiveram muito aquém dos longas estrangeiros, apesar de proporcionarem alguns pequenos destaques. Os filmes exibidos foram Otávio e as letras, Valsa para Bruno Stein (melhor atriz), Olho de Boi (melhor roteiro e melhor ator), Condor (qualidade artística e prêmio especial do júri), Deserto Feliz (melhor filme do júri popular, prêmio da crítica, melhor música, melhor direção de arte, melhor fotografia e melhor direção – o grande papa-kikitos) e Castelar e Nelson Dantas no país dos generais (melhor montagem e melhor filme). Deserto Feliz pra mim se destacou, estando um passo à frente dos demais, assim como alguns aspectos de Condor e Castelar. A estranheza ficou para a escolha de melhor filme (mais por questão de coerência que qualidade), a escolha de melhor atriz (será porque era um filme gaúcho que estaria sem nenhum outro prêmio na noite?) e nenhuma premiação para o interessante Otávio e as letras. Questão duvidosas à parte, o que mais me incomodou foi o nível de qualidade abaixo dos longas estrangeiros.


O melhor de Gramado

Ainda tivemos mais um filme nacional sendo exibido no festival: Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho. A despeito dos filmes brasileiros em competição, esse sim foi uma verdadeira obra-prima. Não teve nada melhor no festival, seja filme, seja personalidade, ou seja o que for; que a noite de homenagem ao Coutinho com o Kikito de Cristal (estréia do prêmio, para o conjunto da obra de um cineasta), seguida da exibição do filme. Jogo de Cena mostra que o cineasta, aos 74 anos tem uma imensa capacidade inovar e recriar e que o nosso cinema ainda tem a capacidade de destaque perante o resto mundo. Numa coletiva à imprensa, Coutinho foi perguntado sobre sua escolha de ter escolhido o caminho do documentário ao invés da ficção, e ele respondeu:

"É o que eu faço de melhor. Prefiro fazer documentário e não ser visto, do que ser visto e ser medíocre. É uma forma de me esconder e de me revelar também".


E isso já diz tudo.


A vergonha de Gramado

Não só de premiações duvidosas viveu o festival. Já no segundo dia, a cópia de Cocalero não conseguiu chegar a tempo de ser exibida, o que é absolutamente vergonhoso, pois o básico de um festival é assegurar a exibição de um filme apenas quando ele já está em mãos. Resultado do contratempo: a exibição do filme à noite (momento principal para o mesmo) não foi feita com cópia de 35 mm. No mesmo dia, após ter passado alguns minutos de Olho de boi, o diretor grita no cinema, reclamando o erro na janela de exibição, prejudicando seu filme. Lamentável.

Mas o melhor mesmo deixaram pro fim do festival. Na grande noite de premiação, em seu final, um sujeito invade o palco a fim de protestar. Parece que seu protesto foi para reclamar seus direitos na sua idéia da calçada da fama de Gramado, que, segundo ele, foi roubada pela prefeitura. Sem discutir seus motivos ou fazer julgamento por sua atitude extremista, a reação do festival foi a pior. Primeiro ele consegue chegar ao palco e falar no microfone para depois ser arrancado (literalmente) com violência pelos seguranças. Não bastasse a incompetência de tê-lo deixado chegar lá, ela se repetiu na forma de reagir ao acontecido. Sem falar na resposta da Giulia: “violência só gera violência. Tanta demagogia pegou mal pro festival.

Não bastasse isso, na mesma noite, ao anunciar os vencedores, simplesmente ignoraram os prêmios dados pelo júri dos estudantes. Em nota oficial, eles divulgaram:

“A Comissão Organizadora do 35º Festival de Cinema de Gramado vem a público informar que a premiação do Júri de Estudantes universitários de cinema não faz parte da premiação oficial. Trata-se de um projeto experimental que busca inserir estudantes no contexto técnico de avaliação das produções cinematográficas do Festival de cinema de Gramado”.

Essa resposta seria válida se fosse anunciada antes da premiação. Afinal, como integrante do júri posso garantir que nos foi cobrado prazo para definir os vencedores para poder permitir que o diretor de palco programasse a cerimônia e anunciasse inclusive os prêmios dados por nós; e esse prazo foi cumprido. Então, eles não só não nos avisaram que os prêmios eram experimentais e não seriam anunciados, como tiveram um discurso exatamente oposto a isso. E isso foi utilizado apenas como desculpa, pois os ganhadores receberam esses Kikitos e eles têm valor oficial como qualquer outro. Foi para nossa surpresa, ao acompanhar a premiação e perceber que tais prêmios não estavam sendo divulgados na noite. Mas o pior mesmo ficava para os próprios vencedores, que não tiveram esse respeito do festival e não puderam receber seus Kikitos no palco. Por exemplo, o curta Balada do Vampiro ganhou dois deles e justamente os dois que elegemos, não podendo nenhuma vez se mostrar na cerimônia, mesmo tendo méritos pra isso.

Por isso que o foco de nenhum festival deve ser a premiação, e sim as exibições e as reações do público para o que de melhor e de pior aconteceu. Senão, ao fim de um Festival como o de Gramado, com que cara ficamos?

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Cidadão do Cinema

Crítica 4: Cidadão Kane

Cidadão Kane (1941) é tido como um fenômeno do cinema. Escrito, dirigido e protagonizado por Orson Welles (indicado ao Oscar pelas três funções que exerceu), foi premiado no mundo inteiro, como as suas nove indicações para o Oscar (venceu por melhor roteiro) e é premiado até hoje. Em 1998, o American Film Institute o elegeu o melhor filme de todos os tempos, e, nesse ano, fizeram uma nova votação, mantendo Kane no topo da lista. A associação de roteiristas de Hollywood o coloca como o quarto melhor roteiro da história. Isso sem mencionar o filme como referências em todo tipo de estudos de inúmeras áreas, em vários países.

Mas não se deve tomar como verdade absoluta tais votações e premiações que muitas vezes valorizam a capacidade publicitária de uma produção (Oscar, principalmente). Só que Cidadão Kane é um daqueles filmes que não ganham tal fama à toa. Muito à frente de sua época o filme quebra com a idéia defendida por D. W. Griffth, considerado “o pai da técnica cinematográfica” e “o homem que inventou Hollywood”, de que um plano deve retratar um único determinado acontecimento para a cena. Sendo assim, Orson Welles utiliza planos complexos, com vários acontecimentos simultâneos. Um exemplo disso, é a maior parte das cenas realizadas no jornal "Inquirer", onde são mostrados os personagens centrais do filme, nos momentos de flashback.

Obviamente, os méritos do filme não param por aí. Um roteiro com diálogos ágeis e inovações em elipses (passagem de tempo) de uma cena à outra, como no caso da foto dos jornalistas que indicou uma passagem de seis anos. Além disso, o filme se centraliza em uma palavra, “Rosebud”, e na busca de seu significado, para contar a trajetória de Charles Foster Kane, dono do império jornalístico mais influente dos EUA. A solução que o filme encontra para a conclusão da história, ou seja, descobrir o que afinal significa “Rosebud”, que foi a última palavra dita por Kane momentos antes de sua morte (no início do filme) é um momento bem aguardado, e a mim pelo menos, não decepcionou nem um pouco. Mesmo pra quem não tem o hábito de ver filmes antigos, como nesse caso, da década de 40, vale a pena, porque Cidadão Kane não deixará de ser atual mesmo daqui a muitos anos.

Nota: 9

sábado, 2 de junho de 2007

21 formas de amor

Crítica 3: Paris, te amo

Esse post é sobre o filme que abriu a Maratona Odeon RJ de ontem. Um longa que contém 21 curtas que contam histórias de amor, todas em Paris, com diretores de diferentes países, incluindo o nosso. São alguns diretores: Frédéric Auburtin e Gérard Depardieu (segmento "Quartier Latin"), Joel Coen e Ethan Coen de Fargo (segmento "Tuileries"), Alfonso Cuarón, de Filhos da Esperança (segmento "Parc Monceau"), Vincenzo Natali de O Cubo (segmento "Quartier de la Madeleine"), Alexander Payne de Sideways (segmento "14th Arrondissement"), Tom Tykwer de Corra, Lola, Corra! (segmento "Faubourg Saint-Denis"), Gus Van Sant de Gênio Indomável (segmento "Le Marais") e os brasileiros Walter Salles de Diários de Motocicleta e Daniela Thomas (segmento "Loin du 16ème").

Como era de se esperar, num grande número de curtas, houve os medíocres e os excelentes. Os meus destaques são os curtas dos irmãos Coen, sobre o turista que não fala francês e passa por situações inusitadas no metrô; o curta do Alfonso Cuarón, que brinca com nossa percepção, nos fazendo acreditar que um velho seja o amante de um jovem mulher; do Vincenzo Natali, que mostrou um amor de vampiros; do Alexander Payne, sobre um casal em crise em frente ao túmulo de Oscar Wilde (com o diretor interpretando o “fantasma” do próprio!); do Tom Tykwer, com a interpretação de Natalie Portman, num romance com um rapaz cego, do Gus Van Sant, com surpreendente final na declaração de um menino gay e o curta dos mímicos que não consegui descobrir de quem é. A decepção, pra mim, ficou pro filme do Walter, pois achei meio apagado.

Enfim, com tanta gente boa junta, coisa ruim não ia dar. O resultado foi uma série de idéias originais, que mesmo quando não tão geniais, conseguiram ser bem executadas. Sem falar em, alguns tipos de iluminação, na composição de quadros (que seria a forma como a cena se compõe em um único quadro) e nas atuações. Esta última contando com atores como Steve Buscemi (Cães de aluguel, Pulp Fiction, Fargo, Peixe Grande), Catalina Sandino Moreno (Maria cheia de graça), Juliette Binoche (Paciente inglês, Chocolate, Caché), Willem Dafoe (Nascido em 4 de julho, Paciente inglês, O aviador, Manderlay), Nick Nolte (O jogador, O oléo de Lorenzo, Hotel Ruanda), Maggie Gyllenhaal (Secretária, As torres gêmeas), Elijah Wood (Brilho eterno de uma mente sem lembranças, Uma vida iluminada, Sin City), Natalie Portman (Closer, Hora de voltar, V de Vingança), Gérard Depardieu (O homem da máscara de ferro, O closet).

Quando o filme estrear nos cinemas, valerá a pena conferir. Pra quem estiver apaixonado, nem se fala.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Go, Tiger!

Crítica 2: Homem-aranha 3


Já no segundo filme do blog, coloco algo que não me agradou. O super-herói da moda nos cinemas é puro visual e... bem, mais nada. A produção custou 250 milhões de dólares, considerado o filme mais caro da história até então.

Cheio de efeitos visuais e sonoros, cheio de vilões, cheio de dúvidas ao Homem-aranha e cheio de baboseira. Nunca vi um filme com tanta lição de moral sem qualquer moral. O ser humano não tem direito de sentir raiva, tesão, soberba... todos devemos ser politicamente corretos. Toda essa mediocridade amplamente representada na personagem da avó que deve ser mais a representação do capeta! E coroando, ouvimos Peter Parker dizer: "Hoje eu aprendi a fazer o que é certo, e todos podem fazer". Mas afinal, o que é certo???? Tô esperando me dizerem, e talvez as novelas da Globo possam fazer isso.

Além disso, a trilha sonora é absolutamente horrível (afirmo sem a menor culpa), nos lembrando também os melodramas das famosas novelas. Quando a situação fica mais dramática parece que tem algum sujeito que aumenta o volume da música, que quase nos faz chorar... quanta emoção. E o que se pode salvar é a força de Marketing do personagem dos quadrinhos, boas atuações de alguns atores e as cenas de brigas, destruições e blá blá blá. Estas cenas são realmente realistas, muito detalhadas e impressionantes. Só vale por isso também.

Para o gran finale, eis que surge o Homem-aranha cruzando o céu, e ao fundo flamula a grandiosa bandeira dos Estados Unidos da América. Neste exato momento, eu poderia colocar pra fora a picanha com batata-frita e chop que eu tinha acabado de consumir. Mas meu estômago foi forte e consumi tudo que o mercado-homem-aranha tinha a me oferecer: o USA way of life, comportamentos humanos irreais, Coca-cola e outros milhões de produtos, as piadinhas de mau gosto, o cabelinho do Peter Parker, o herói perfeito e o famoso e recorrente final feliz. E tudo isso por simplórios 250 milhões de dólares (garantidamente retornados e superados). Isso não é um filme. É um verdadeiro camelódromo. E eu prefiro a Uruguaiana.

Homem-aranha 3 - um soco no seu estômago.


segunda-feira, 21 de maio de 2007

Suely in the Blog with diamonds

Crítica do Filme: "O Céu de Suely"


Minha demora deve-se, além da falta de tempo, à dificuldade de conseguir ver algo de qualidade recentemente. Resolvi então prestigiar o Cinema brasileiro, falando sobre "O céu de Suely", de Karim Aïnouz (Madame Satã). O filme foi muito premiado no Brasil, além de em Havana, Salônica e Punta del Este.

Basicamente, conta a história de uma menina de 21 anos que volta pra sua cidade no Ceará, vinda de São Paulo, que se vê perdida com sua história com seu namorado e faz uma inusitada rifa. A história inicialmente não tem nada demais, só que o interessante é a forma que é contada. Independentemente de afirmar se o filme é bom ou ruim, a questão é o reconhecimento de uma abordagem não tão banal, com o desenvolvimento psicológico gradativo do personagem, o que nos deixa bem claro o que se passa na cabeça de Hermila (ou Suely) e com a diferente situação da rifa, o que coloca até dose de suspense, num filme do estilo "contemplativo" (onde há cenas com tempo morto - pouca coisa acontece). O resultado é que "compramos" os anseios de Hermila, e nos interessamos em saber como tudo vai acontecer - não sendo simplesmente "testemunhas" do que está ocorrendo. Um fato importante é como foi escolhido o nome do filme, que antes era "Rifa-me" (um tanto quanto sem força). O nome foi pensado em inglês, "Suely in the sky", inspirado na música dos Beatles (Lucy in the sky with diamonds). Mas enfim, não diria que seja uma produção sensacional, mas no mínimo com uma boa dose de criatividade.